Opinião
Resistir até poder
| Jornal - Opinião |
Onde vais tão apressada
logo pela manhãzinha?
Pareces muito cansada
que levas nessa cestinha?
O cansaço é do trabalho,
levo sonhos e paixões,
por cima gotas de orvalho,
por baixo desilusões.
Mas se te levam a cesta,
que será dos teu haveres?
Levem tudo o que me resta,
pouco mais há dos meus teres.
Não me tiram o pensamento
isso não.
É como diz a canção,
esse é livre como o vento.
Hei-de ir onde quiser,
resistir até poder.
Mesmo nos tempos cruéis,
pego na tinta e pinceis,
pinto a cor de ser mulher,
tão forte quanto puder.
A pena na outra mão,
poema em riste.
Há sempre alguém que resiste,
há sempre alguém que diz não.
Erguendo a cesta no braço,
retomou o seu caminho,
leva esperança no regaço,
no peito leva carinho.
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