
Ler é viver
| Jornal - Opinião |
“A importância da literatura (…) é que ela é um “organizador fundamental”, que protege a vida contra a automatização e contra a “tragédia da rotina” que ameaça a afetividade e as relações.”1.
A literatura é um elo fundamental de introspecção sobre o ser humano e sobre a sociedade atual, que provoca uma cadência de sensações únicas e pessoais; no entanto, partilháveis.
Manuel António Pina faz referência à automatização da vida e à tragédia da rotina. A vida é um ciclo vicioso: uma gera outra ou mais. Somos humanos, racionais, temos sentimentos, temos afetos, responsabilidades e obrigações. Pois bem, vivemos em sociedade; vivemos numa sociedade “que ameaça a afetividade e as relações” e, a pouco e pouco, tornámo-nos seres dependentes de movimentos pendulares, da solidão e da própria “automatização” que prevalece nas nossas vidas: sem ela não somos aceites no mundo laboral e somos considerados pouco produtivos, apesar de estar mais que provado que um trabalhador “feliz” é mais eficaz.
E é isto que a literatura pretende despertar em cada um de nós, é isto que a sensibilidade de umas leves páginas provoca na agressividade que tanto nos caracterizam. Ler obriga-nos a pensar, a refletir e a proceder à tal cadência lógica tão fulcral para a nossa mente; ler ensina-nos a interagir no seio de uma família, a ser tolerantes, a ser sociáveis e, acima de tudo, a ser pessoas de espírito e mente abertas para que possamos interagir tão bem com o próximo como com um livro.
1.Manuel António Pina, “A língua que os livros “para” as crianças falam”, in Palavra de Trapos
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