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Direita reforça representação
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As ditas social-democracias foram fortemente penalizadas em vários países da União Europeia (UE) onde estão no poder. As políticas de modelo neoliberal que professam serviram de base ao descontentamento dos respectivos povos e quem mais lucrou com o seu desaire eleitoral foi a direita. O Partido Popular Europeu (direita) mantém-se como o maior grupo no Parlamento Europeu, sendo de registar que o único agrupamento que aumentou a representação foram os Verdes, havendo agora também mais deputados não inscritos.
A redução do número de lugares no parlamento de Estrasburgo de 785 para 736 deputados afectou todas as restantes famílias políticas.
Foram os socialistas europeus que mais mandatos perderam. Em 2004 tinham 216 assentos no Parlamento Europeu (PE), na legislatura 2009-2014 vão ter 161. Embora se mantenha como o maior agrupamento do PE, o Partido Popular Europeu também viu reduzidos os seus lugares de 288 para 263. Esta redução estendeu-se a praticamente todas as formações políticas: a Aliança dos Democratas e Liberais da Europa conta agora com 80 deputados contra 99 eleitos em 2004; o Grupo Confederal da Esquerda Unitária/ Esquerda Nórdica Verde diminuiu de 41 para 33 lugares; O Grupo União para a Europa da Nações decresceu de 44 para 35; o Grupo Independência a Democracia passou de 22 para 19 cadeiras. Os Verdes/ Aliança Livre Europeia foram os únicos que viram aumentar a sua representação: de 43 para 52 deputados e há agora 93 deputados não inscritos em nenhuma formação póolítica, quando em 2004 eram apenas 30.
Brown e Zapatero entre os derrotados
Os trabalhistas britânicos alcançaram o seu mais baixo resultado de sempre e quedaram-se pelo terceiro posto, ultrapassados por conservadores e soberanistas (eurocépticos). O partido do primeiro-ministro Gordon Brown obteve apenas 15,7 por cento dos votos e elegeu 13 deputados quando em 2004 tinha eleito 19. À sua frente ficaram os soberanistas do UKIP com 16,09 por cento dos votos e também 13 deputados e os conservadores que venceram o escrutínio britânico com 27,7 por cento dos votos e 25 lugares no PE. De salientar que a extrema-direita que em 2004 não tinha alcançado qualquer mandato, agora conseguiu dois deputados.
O primeiro-ministro espanhol José Luís Zapatero foi outro dos grandes derrotados da europeias de 2009. O seu partido desceu cinco pontos percentuais e perdeu quatro lugares no PE. A queda dos socialistas espanhóis foi acompanhada da subida dos populares (direita) que venceu o acto eleitoral com 42,23 por cento dos votos e consegue mais dois lugares que em 2004, passando para 23 deputados.
Merkel e Sarkozy aguentaram-se
Na Alemanha, a União Democrata Cristã (CDU) da chanceler Angela Merkel venceu as eleições de Junho, recolhendo 30,7 por cento da vontade do eleitorado. Mesmo assim, o partido (e o governo) foram penalizados tendo a CDU perdido seis deputados. No segundo posto ficaram os cristãos-sociais (CSU) e em terceiro os sociais-democratas, ambos parceiros de Merkel no governo alemão. No país que elege mais deputados, destaque para a subida dos Verdes, de 13 para 14 lugares no PE, dos liberais que elegeram mais cinco deputados mantendo agora 12 e do Die Linke (esquerdda) que elegeu oito deputados, mais um que em 2004.
Fruto do desaire dos socialistas franceses que não foram além de 16,48 por cento dos votos (14 deputados), quando em 2004 tinham consguido 28,8 por cento (31 deputados), o partido do presidente francês Nicolas Sarkozy foi o grande vencedor do escrutínio gaulês ao alcançar 27,8 por cento do eleitorado e elegendo 20 deputados.
Em França, há ainda a registar o recuo da extrema-direita de Le Pen que perdeu quatro lugares no PE e a subida dos verdes de seis deputados para 14. O Partido Comunista Francês (PCF) concorreu coligado com outras formações na Frente de Esquerda que obteve quatro deputados. O PCF tinha elegido dois em 2004.
Votação quase sem surpresas
A direita recolheu, em termos globais, mais votos que o centro e a esquerda, tal como sucedera em 2004. Na generalidade dos países da UE, os partidos da direita reforçaram posições, enquanto que os social-democratas perderam posições. Com os resultados de Junho passado, os populares reforçam a sua posição no PE com mais 102 assentos que os socialistas.
Assim os resultados não surpreenderam e parecem indicar que, em tempo de crise, são os partidos conservadores que melhor partido dela tiram. Também o nível de abstenção – 57 por cento – confirma o alheamento dos povos europeus em relação às instâncias comunitárias. A construção europeia faz-se à margem das populações e servindo os poderosos interesses financeiros e das multinacionais, promovendo o gradual afastamento dos cidadãos que não se revêem, na sua maioria, neste processo de integração europeia capitalista.
Da Suécia veio o fait-divers destas eleições, com um designado partido dos piratas a recolher 7,1 por cento dos votos e a eleger um deputado.
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