Hoje em dia, é uma ideia unânime de que cabe à Escola instruir e dar conhecimento aos alunos mas também educar e formar. A educação sexual deverá ser entendida como parte integrante e fundamental da educação global de uma pessoa e tratada com o rigor e a responsabilidade que todo o acto educativo envolve.
Educação Sexual não é falar sobre sexo aos alunos nem facultar-lhes preservativos ou pílulas.
Também não é incitar os jovens a práticas sexuais precoces, nem estas existem por estes terem tido Educação Sexual.
Talvez também não deva ser uma disciplina.
Educar para a Sexualidade é semelhante a educar para qualquer outra coisa: é um acto contínuo, que se inicia desde que a criança é muito pequena e termina quando esta atinge a maturidade, e que acompanha a individualidade e as vivências de cada um, surgindo quando é pertinente e estando ausente quando não é necessária.
De facto, o grande objectivo da Educação Sexual deve ser uma sexualidade adulta saudável e satisfatória, o que em termos práticos não é exactamente o mesmo para todas as pessoas. Ao mesmo tempo, a forma como se encara e se vive a sexualidade não se dissocia da forma como se encara e se vive a vida em geral, o que significa que a educação sexual jamais se poderá dissociar da educação global da criança, mas antes enquadrar-se nesta.
Nas nossas escolas, entendemos que educar é guiar, orientar, conduzir, sem que isso signifique impôr uma direcção ou um caminho, mas antes ajudar o outro a descobrir o seu. Como tal, este é o príncipio que deve subsistir a qualquer actividade, formal ou informal, no âmbito da Educação Sexual. Aos adultos cabe a tarefa de construir com as crianças e os jovens espaços de diálogo suficientemente empáticos e abertos para que todos se sintam à vontade para falar sobre tudo, incluindo sobre a sexualidade. Cabe esclarecer, informar, responder a dúvidas e perguntas mas também estimular a discussão e o pensamento e, acima de tudo, contribuir para que a sexualidade seja vista e sentida como algo natural e saudável, cuja descoberta faz parte do crescimento.
Ao mesmo tempo, verifica-se também que, em geral, os jovens estão bem informados relativamente ao tema da sexualidade [têm fontes de conhecimento variadas, como a televisão ou a internet; o tema faz parte do currículo das disciplinas de Ciências em diversos anos de escolaridade] pelo que apresentam necessidade essencialmente de conversar/discutir sobre aquilo que já sabem e sobre a forma como cada pessoa sente e vive as coisas dentro de si. Da mesma maneira, a sexualidade não deve ser apresentada de forma descontexualizada mas antes integrada e articulada com as questões ligadas aos afectos, até porque tudo o que diz respeito às relações amorosas, e à forma como estas devem ser vividas e conduzidas, encerra usualmente muitas dúvidas para os adolescentes.
Em suma, educar para uma sexualidade saudável parece ser educar com diálogo e abertura, respeitando o espaço e a intimidade do outro e os diferentes ritmos de crescimento e de desenvolvimento, bem como as diferentes sensibilidades. Da mesma forma, as dúvidas, inquietações, angústias e descobertas não surgem na mesma idade e da mesma maneira em todos, nem todos têm a mesma disponibilidade emocional para ouvir e partilhar. Como tal, o que é fundamental é que cada criança/adolescente encontre espaços e adultos de referência com quem sinta abertura para, formal ou informalmente, colocar as suas questões e encontre, nesses espaços e com esses adultos, os estímulos e as respostas de que necessita.