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Início - Voz - Os pais, segundo os filhos...

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Jornal - Voz

Segundo o diccionário, pai é “aquele que procriou um ou mais filhos; progenitor” ou “homem que exerce as funções paternas”. De facto, pai é muito mais do que isso e sempre muito menos do que as palavras descrevem. Para as crianças, os pais são normalmente ídolos ou heróis porque, na realidade, estão muito próximos disso. Enquanto os super-heróis que vêem na televisão e reproduzem nas suas brincadeiras de variadas formas têm a missão de garantir a segurança do mundo, os pais são uma espécie de heróis domésticos, cuja função é garantir a segurança do mundo da criança tal como ela o conhece. São, por isso, muito importantes na vida de uma criança e, quando ausentes ou inexistentes, deixam um vazio que, a não ser preenchido por outra figura, pode ser uma fonte permanente de tristeza, mágoa ou zanga para o filho, ainda que estas em alguns casos se processem de forma invisivel aos olhos do mundo.
Efectivamente, quando as coisas correm bem entre pais e filhos, durante a infância estes vêem no pai não só um herói, repleto de qualidades e forças, como alguém que estará para sempre e incondicionalmente junto deles e os poderá proteger de qualquer perigo. É esta relação de incondicional presença, afecto e segurança [que se pode ter com os pais, mas também com as mães e com outros familiares e até pessoas externas à família, como professores ou amigos] que permite às crianças construir a sua própria segurança interna e desenvolver dimensões importantes da sua vida emocional como a auto-estima, a auto-confiança e/ou a capacidade de gerir e resolver conflitos.
Ao mesmo tempo, esta relação incondicional desenvolve-se no dia-a-dia e constrói-se com rotinas, acontecimentos, hábitos, brincadeiras e de tudo aquilo que faz parte das relações humanas, e designadamente das relações entre pais e filhos. Tem sobretudo a ver com o tempo que pai e filho passam em conjunto e dos “gostares” que criam um com o outro.
Com efeito, a infância é um tempo em que se constroem cumplicidades e recordações, as quais permanecem para sempre no imaginário das crianças, como um capital de memórias que acaba por influenciar na personalidade adulta e faz parte daquilo que se é e do que se pretende vir a ser.


Como é que as crianças vêem o seu pai?

Aos olhos das crianças, os pais tendem sempre a parecer muito fortes e talentosos. Supostamente, são capazes e sabem (quase) tudo, pelo que teoricamente poderão resolver qualquer problema, o que é uma enorme garantia de estabilidade infantil. Ao mesmo tempo, habitualmente está também presente uma dimensão muito afectiva – os pais são queridos , o que equivale a dizer que são amorosos, carinhosos e asseguram a necessidade de amor dos filhos, o que é algo fundamental para eles. Afecto e segurança, é o que basicamente cada filho pretende e procura na relação com o pai (ou figura equivalente), e a interiorização saudável de ambos é uma das aquisições mais importantes da infância e determinante para uma vida adulta estável e plena do ponto de vista emocional.
Ao mesmo tempo, é durante a infância que os adultos e as crianças se projectam e as relações pai/filho [bem como muitas outras e designadamente a relação mãe/filho] têm grande importância na estruturação da personalidade da criança. Efectivamente, aquilo que se vive enquanto filho molda, pela positiva ou pela negativa, o que se será enquanto pai, o que é mais uma marca indelável que os pais deixam no mundo e aumenta a sua responsabilidade para com os filhos e para com a sociedade em geral.

 
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