Voz
Marcha Infantil
| Jornal - Voz |
É sábado à tarde. Inês Santos, Helena Fernandes e Graça Leite, entre moldes e tecidos, tesouras e alfinetes, atarefam-se na difícil arte de cortar. Não são as únicas “costureiras” que, desde a segunda semana de Abril, têm por missão confeccionar os trajes dos 55 marchantes da Marcha Infantil de A Voz do Opeário, incluindo padrinhos – Ana Guiomar e Miguel Costa - e mascote – Maria Boullier. Ao todo oito pessoas participam na tarefa de vestir os meninos e as meninas e, tal como acontece com o grupo dos aderecistas, todo o trabalho é voluntário e feito “com amor” para que nos dias dos desfiles (Pavilhão Atlântico, a 4 de Junho, e Avenida da Liberdade, a 12 de Junho) todos estejam a rigor.
Este ano, as “costureias” da Marcha tiveram uma ajuda; Carlos Mendonça desenhou os fatos e depois de feito um primeiro verificou-se que se podia avançar com a grande tarefa que é vestir 55 crianças. “Cada fato é único porque também cada criança é única” faz notar Inês Santos que, embora já participe na confecção dos trajes há 16 anos, ainda sente o “mesmo stress”, na hora de vestir os meninos e as meninas.
As “costureiras” que A Voz do Operário encontrou naquele sábado têm alguma experiência de costura, mas não sabiam de tudo. Inês Santos hoje é encarregada num grande empresa de confecções, para a qual entrou há 30 anos como costureira. A também membro da direcção de A Voz confessa que não sabia cortar. Agora já sabe
Helena Fernandes, actualmente auxiliar na sala dos bebés da creche de A Voz, começou a trabalhar em costura aos 14 anos , mas também nunca aprendeu a cortar. Só que em 23 anos que já leva a fazer os fatos para a Marcha Infantil acabou por aprender.
“Evoluímos de ano para ano. Havia coisas que não sabíamos fazer e tivemos de aprender. No início, olhámos para os desenhos e decidimos arriscar”, recorda Inês Santos, secundada por Helena Fernandes que conta que “foram muitas horas passadas a imaginar como fazer”, em que valeu a ajuda da D. Graça Pais que ainda continua a dar o seu contributo, todos os anos.
Há dois anos, Graça Leite juntou-se ao grupo das “costureiras”. “Sou supervisora de limpeza e a costura persegue-me desde que nasci. Basta dizer que o meu pai era alfaiate e as primeiras calças que vesti foi ele que as fez”. Natural de Cabeceiras de Basto, por a escola ficar longe, almoçava em casa de uma senhora que a ensinou a fazer vestidos paras as bonecas e já aluna do ensino secundário ficou alojada em casa de uma costureira. “Foi com ela que aprendi a cortar”. Ensinamentos que lhe permitiram trabalhar de costura em casa e, simultanemanete, tomar conta dos filhos. “A Graça foi uma preciosa aquisição”, brinca Inês Santos.
De fita métrica ao pescoço e tesoura em punho, as três “costureiras” ajustam os moldes ao tecido, prendem-nos com alfinetes e iniciam o corte. Saem as costas e as frentes que durante a semana serão costuradas até estar terminado o fato. “Precisamos de deixar o máximo de fatos cortados para que as pessoas que podem vir durante a semana vão costurando”, explica Inês Santos.
Histórias e imprevistos
Enquanto se trabalha vão-se recordando outros anos e outras marchas. Houve um ano que os meninos levaram coletes. “Nenhuma de nós sabia cortar um colete porque nunca o tinha feito. Foi uma mãe que trouxe um do filho que nos serviur de modelo. Acabámos por nos sair bem”, recorda Helena Fernandes que com 23 anos de experiência tem muitas histórias para contar.
“No primeiro ano da Marcha a certa altura alguém pergunta: «onde está o fato da mascote?». Ficou tudo em suspenso, tínhamo-nos esquecido do fato da mascote. Sentei-me à máquina e enquanto se vestiam os miúdos eu e outra senhora costurámos o fato da mascote”, recorda rindo a auxiliar da sala dos bebés que, todos os dias tira um bocadinho da sua hora de almoço para cortar e coser os fatos dos meninos e meninas da Marcha.
“A prática também apura o engenho. Até porque estamos a falar de roupa para criança que é diferente de roupa para adulto. As crianças nunca estão quietas e corre-se o risco de algo se estragar. Por exemplo, o ano passado que trabálhamos com cetim tivémos de ter um cuidado extremo para que o tecido aguentasse” diz Inês Santos.
Depois há sempre os imprevistos de última hora que as “costureiras” se apressam a corrigir porque, como dizem, “tudo é feito com muito amor à nossa Marcha Infantil”.
| < Anterior | Seguinte > |
|---|







