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INSCRIÇÕES ABERTAS 2012 / 2013

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Início - Voz - A prática pedagógica da inclusão

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postheadericon A prática pedagógica da inclusão

Jornal - Voz

De acordo com a Declaração de Salamanca (1994), a educação das crianças com necessidades educativas especiais deve realizar-se nas escolas de ensino regular, assentando no pressuposto de que qualquer indíviduo tem direito e capacidade de aprendizagem [embora a um ritmo não necessariamente igual ao da média esperada para a sua idade], o que preconizava uma mudança nas escolas direccionada para pedagogias activas, diferenciadas e centradas na criança.

Cerca de 15 anos após a Declaração de Salamanca, verifica-se que na grande maioria das vezes as crianças com necessidades educativas especiais estão efectivamente integradas na escola regular. No entanto, surge ainda muitas vezes a questão se este é o melhor enquadramento, levantando-se muitas vozes no sentido de que necessidades especiais requerem medidas e programas especiais, os quais não estão normalmente disponiveis na escola regular.

Na Voz do Operário, acreditamos que o direito à educação e à aprendizagem é global e que a mesma escola e a mesma sala de aula podem englobar crianças com condições muito distintas entre si, seja de aprendizagem, sejam sociais, sejam cognitivas. A nossa prática diária tem-nos mostrado, ao longo dos anos, que esta diversidade encerra uma riqueza que é benéfica para todos. Para as crianças que apresentam necessidades especiais, sejam derivadas de problemas de foro médico ou psicológico, sejam resultado de alterações ligeiras ao nível do comportamento, da aprendizagem ou da sociabilização, encontrar uma escola onde são incondicionalmente aceites, compreendidos e integrados representa normalmente uma oportunidade que a maioria recebe com agrado – após alguma desconfiança inicial – e que muito frequentemente é catalisadora de outras mudanças positivas que eram necessárias na sua vida. Para os outros, aqueles que não apresentam nenhuma necessidade em especial e que se adaptariam com maior ou menor dificuldade mas certamente com sucesso a qualquer ambiente, a experiência de viver e conviver com esta diferença e esta diversidade é também uma aprendizagem que é tão ou mais importante que as aprendizagens escolares.

Inteligência emocional é também a capacidade de adaptação bem sucedida a qualquer contexto social, o que normalmente requer competências de diálogo, empatia, tolerância, assertividade e aceitação do outro e do seu ponto de vista.

Na Voz do Operário, resolvemos os problemas através do diálogo e da partilha de ideias e de soluções, responsabilizando todos pelas decisões tomadas. Incentivamos as crianças a participar no que se passa à sua volta, a expressar as suas ideias e a decidir de modo consciente, informado e reflectido. Desde muito cedo, as crianças apercebem-se que todos são diferentes entre si e também na forma como aprendem, como se comportam e como se relacionam com os outros, existindo uns para quem tudo isto ou algumas destas coisas são extremamente fáceis e outros para quem são extremamente dificeis. Aprendem a respeitar-se uns aos outros, a ajudarem-se e descobrem que, colaborando e cooperando entre si, são mais fortes do que agindo individualmente.

Quando uma Escola inteira funciona assim e este espírito é partilhado por alunos, professores e pais, a inclusão torna-se se, nem sempre fácil, pelo menos natural. Ao mesmo tempo, as situações de «bullying» são raras e facilmente solucionáveis uma vez que existe uma cultura de escola que favorece o diálogo, a cooperação, a partilha e o respeito incondicional por todos, independentemente das suas dificuldades ou fragilidades. Os meninos adquirem, desde cedo, competências de assertividade e expressão oral, sabem distinguir o «certo» e o «errado» e são incentivados a agir e a reagir, de modo adequado, perante a injustiça ou o abuso, mesmo que sejam apenas «parte assistente» do mesmo e não «parte envolvida».

Somos assim também porque os pais que nos escolhem são também, na sua maioria, assim. Educam os seus filhos segundo estes principios e encaram os meninos novos que chegam às salas de aula das suas crianças e que são notoriamente diferentes, como alguém que precisa, merece e tem o direito a ser ajudado e a estar ali. Colaboram com os professores na integração destes meninos, seja convidando-os para as festas de anos, seja conversando com os seus filhos em casa no sentido de os incentivar a procurar e a brincar com todos, seja apenas e só pelo facto de se mostrarem contentes com os progressos obtidos não só pelo seu filho mas também por todos os outros.

E assim se caminha realmente no sentido da Inclusão.